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Capítulo 1 - Camp



-Kurt! Acorda! -Minha irmã gritava, me atormentando para acordar às sete da manhã.

-Qual foi, Kim?! -Perguntei nervoso e cobrindo minha cabeça com o edredom.

-Acorda, a mamãe está chamando. -Ela respondeu, me empurrando de um lado para o outro.

-Que merda, tudo bem, eu já vou indo. -Falei gritando e Kim para de me empurrar, pois eu estava irritado.

-Olha a boca, KURT! -Minha mãe disse gritando da cozinha. Ela escutava tudo que eu falava, ou melhor, quase tudo e me policiava com os palavrões. Mas isso era irritante.

-Foi mal, MÃE!!! -Falei me levantanto e Kim sai correndo.

Passei a mão no rosto e como um zumbi fui até o banheiro, pois ficava ao lado do meu quarto. Lavei meu rosto, escovei os dentes e tomei um banho rápido, já que odiava aquela água fria, mas minha mãe me obrigava.

Coloquei uma camisa preta e uma xadrez vermelha, por cima. Coloquei minha calça jeans extremamente suja, porque minha mãe não lavava minhas roupas, ela dizia que eu estava na obrigação de fazer isso, então eu simplesmente ignorava e não fazia. Passei a mão no meu cabelo jogando ele para trás e deixando o próprio se ajeitar, do jeito mais bagunçado e relaxado possível.

Desci as escadas de madeira, indo até a cozinha e pegando uma maçã que minha mãe estava cortando.

-Bom dia, filho! -Ela disse, beijando minha bochecha.

-Bom dia, mãe! Tchau, mãe! -Falei, saindo da cozinha e pegando minha mochila.

Beijo o topo de sua cabeça e eu calço o meu All Star preto e velho, mas completamente confortável.

-Kurt Donald Cobain! Espera aí! -Ela disse, me fazendo parar e revirar os olhos, pois eu sabia que quando ela dizia meu nome completo, alguma coisa muito ruim vinha por aí.

-Fala, mãe... -Disse em um tom de tédio e revirando os olhos.

-Não revire seus olhos. Escuta, eu fiquei sabendo que o senhor vai ter um acampamento?

-Sim, vou.

-E você não me disse nada?!

-Mas eu não vou mesmo.

-O Krist vai?! -Minha mãe pergunta, cruzando os braços e a campainha toca.

-Eu atendo! -Falei correndo até a porta e abri.

Era Krist, meu melhor amigo de dois metros, que era o único com quem me divertia nesse mundo.

-Oi, Cobain! -Ele diz, bagunçando meu cabelo e eu o empurro rindo.

-Oi, Tia Wendy! -Krist fala abrançando minha mãe.

-Krist, que bom que você chegou! Estamos falando de uma coisa muito importante.

-O que é? -Krist perguntou, apoiando seu braço em meu ombro.

-Kurt não me disse nada sobre o acampamento.

-Ele é um idiota mesmo! -Krist fala ironicamente.

-E por acaso você vai?! -Perguntou ela.

-Sim!

Olhei feio para ele, porque eu não estava com a mínima vontade de ir e eu só queria que Krist falasse não.

-Kurt, você vai. -Minha mãe diz, voltando para a pia.

-Mãe, não! -Falei indo até ela totalmente indignado.

-Sem mais, Kurt, você vai e pronto.

-Que merda! -Disse indo até Krist e fechando a cara.

-Kurt, você têm que se socializar mais. -Ela diz vindo até mim.

-Mais?! Eu já tenho Krist!

-Mas você precisa conhecer garotas... -Disse ela com um sorriso em seu rosto.

-Vamos, Kurt! Você tem que pelo menos pegar alguém. -Gritou Krist, espontâneo.

Eu bato em sua cabeça, e sinto meu rosto arder de vergonha, Krist às vezes não falava coisa com coisa e me fazia passar vergonha.

-Ai, ai, Kurt! -Ele fala passando a mão no local em que bati.

-O Krist está certo!

Eu arregalou os olhos, achei que minha mãe ia achar ruim pelo jeito que Krist disse, mas foi ao contrário.

-Mãe, por favor!

-Tudo bem, então você vai ficar com seu pai esse fim de semana.

-O quê?! Mãe, nunca que eu vou ficar com Don.

Minha mãe e meu pai se separaram quando eu ainda era criança, e a partir daí eu acabei mudando muito. Tento não demonstrar tanto isso, e minha mãe já me levou em vários psicólogos, mas eu sempre fugi deles. Então, atualmente, moro com minha mãe, pois é muito melhor. Meu pai se casou com outra mulher e isso me causou um ódio terrível. Acabei voltando com minha mãe a partir daí e já fazem uns dois anos. Até hoje minha mãe e meu pai têm sérios problemas em se entender, então, odeio quando ele vem me buscar, pois é gritaria e isso me deixa atordoado. Assim, evito o máximo meu pai e outra que ele sempre fica me mandando fazer coisas que odeio. Além disso, também deixa minha mãe mal com suas visitas, ela fica chorando e eu sinto meu coração quebrar ao ver isso. Dessa forma, tento amenizar essa situação mantendo uma boa distância do meu pai. Na ralidade, só se eu precisar dele em casos de emergência, eu vou até a sua casa.

-Então escolha!

Krist me olha, esperando um sim.

-Que saco! Mãe, qual é o problema?!

-Nenhum, mas eu estou cansando, porque você está mofando naquele quarto.

Krist riu e concordou com a cabeça.

-Kurt, sua mãe está certa, você precisa ver o mundo lá fora! -Ele fala, girando pela cozinha como uma princesa e nós rimos.

-Tá, tá, eu vou.

Krist me abraça.

-Obrigado, Deus! -Ele grita e minha mãe começa a rir.

-Filho, vai ser bom. -Ela fala passando a mão em meu rosto.

-Não vai!

-Que menino negativo! -Krist diz colocando a mão na cintura.

-Krist, cala a boca! Eu só estou indo porque eu não quero ver a cara do Don.

-Olha a boca Kurt, você não aprende mesmo, em? Olha a Kim! -Minha mãe fala, mas na verdade tudo isso era por causa da Kim, ela tinha medo que ela se tornasse uma boca suja como eu.

-Estou acostumado! -Krist diz rindo.

-Vou te proibir de ver filmes com classificação indicativa de maiores de dezoito.

-Mãe! -Falei abrindo a boca.

-Estou brincando, calma! -Ela diz beijando minha testa.

-Vamos, tampinha?! -Krist pergunta.

-Sim! -Respondo beijando Kim.

-Tchau, meninos! -Minha mãe disse enquanto íamos até a porta, então tranco ela e vamos andando.




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